Como sempre que é publicada legislação inovadora, a falta de consenso é notória. Há quem considere o novo enquadramento ajustado e há quem o avalie como pouco exigente, mesmo ‘um passo atrás’, e esteja já à espera de novas alterações e ajustamentos.
Discussão à parte, é preciso abandonar fundamentalismos. A viticultura sustentável é uma prática cada vez mais enraizada no nosso país. O enrelvamento entre linhas banalizou-se, técnicas de conservação de solo são cada vez mais utilizadas e, nem que seja por motivações económicas, a quantidade de agroquímicos, em especial de herbicidas, utilizados é reduzida ao mínimo indispensável.
Os viticultores estão a fazer o seu caminho para diminuir impactes ambientais e tornar a atividade cada vez mais responsável ambientalmente. É um percurso que levará o seu tempo, mas que parece ser incontornável. Como é óbvio, tudo isto tem de encaixar no objetivo final do produtor que é criar um produto final com qualidade e simultaneamente rentável. E aqui é preciso usar de bom senso para equilibrar esta dicotomia da viticultura sustentável versus rentabilidade económica.
As quebras de produtividade iniciais numa vinha biológica rondam os 20 a 30%, mas a experiência revela que o tempo e um maior conhecimento e domínio das técnicas permitem alcançar produções regulares.
Uma coisa é certa: esqueçam a ideia de que ‘o biológico’ é deixar a vinha entregue à natureza e ter pouco trabalho. O bio implica um elevado nível de sofisticação e profissionalismo e não se compadece com amadorismos. Encará-lo de ânimo leve pode ser um desastre vitícola.