Espanha: o maior produtor mundial

10 de Março - 2011

É responsável por 60% do total de azeite produzido na União Europeia. Já superou a marca de um milhão de toneladas anuais e é, por isso, considerado o maior país produtor.

É de Espanha que vêm estes valores. Mas, aí, o azeite não é só sinónimo de quantidade. Também, de profissionalismo e de qualidade, associados a particularidades de geografia, clima e variedades

São mais de 260 variedades de azeitona contabilizadas em Espanha. Uma indústria perfeitamente consolidada que coloca o país vizinho no lugar cimeiro da produção de azeite: a nível europeu, ao agregar 60% do total produzido, em termos mundiais, ao ultrapassar, em alguns anos, a barreira do milhão de toneladas, e no que toca à exportação, ao enviar os seus azeites para todos os continentes e mais de 100 países.

O sucesso advém da qualidade. E da diversidade. O número elevado de variedades, associado às diferenças geográficas e climáticas do país, permitem criar azeites diferenciados. São características diversas de aromas, corpos e caracteres, para gostos e culturas diferentes.

As principais variedades são Picual, Hojiblanca, Lechin, Cornicabra, Verdial, Picudo, Arbequina e Empeltre. Utilizadas na produção de azeites monovarietais ou para blends.

 

Por regiões

Espanha tem inúmeras regiões produtoras de azeite. Mas a maior é, de forma destacada, a Andaluzia. É a mais importante região produtora espanhola – e mundial. 75% a 80% dos azeites do país vizinho vêm daí. Contabiliza cerca de 165 milhões de oliveiras, 50% das quais localizadas em Jaén, a principal área de produção do mundo. Córdoba agrega 30%, Sevilha, Málaga, Granada, Huelva, Almeria e Cadiz os restantes 20%.

De Castilla La Mancha vem entre 7 a 12% da produção espanhola de azeite. As províncias de maior relevo são Toledo e Ciudad Real. A terceira maior região produtora é Extremadura. Soma 5 a 6% do total nacional, concentrada nas províncias de Cáceres e Badajoz. Aragão, Valência, Navarra, Murcia e Ilhas Baleares são responsáveis pelos restantes 1 a 2% da produção espanhola.

 

A aposta na certificação

É uma forma de diferenciar os azeites produzidos. E tem sido um forte investimento em Espanha. A primeira certificação com Denominação de Origem espanhola aconteceu em 1977, em Garrigues, no sul da província de Lleida. Hoje existem 12 conselhos reguladores de DOP que acompanham a produção de azeite extravirgem espanhol. Uma denominação que distingue as principais regiões de produção.

Da região da Andaluzia chegam seis azeites DOP. O azeite de Montes de Granada, da província de Granada, caracterizado pelo seu carácter encorpado e um pouco amargo, com domínio das tonalidades verdes sobre as amarelas. Ao paladar recorda azeitonas frescas, erva recém cortada, figo ou tomates verdes. Da província de Jaén vem o Azeite de Sierra de Cazorla, a mais recente DOP de Espanha. Abrange azeites extravirgem provenientes da variedade Picual, com um predomínio de cor verde-amarelado e um intenso sabor a fruta fresca (maçã, figo ou amêndoa). Também da província de Jaén chegam o Azeite de Sierra Segura e o Azeite de Sierra Mágina. O primeiro derivado de azeitonas das variedades Picual, Verdala, Royal e Manzanillo, onde a azeitona é colhida manualmente e o azeite adquire sabores por vezes picantes. Da segunda obtêm-se azeites das variedades Picual e Manzanillo, que se caracterizam por serem muito estáveis, frutados e levemente amargos. A cor não é uniforme. Varia do verde brilhante ao dourado, em função do grau de amadurecimento da azeitona na altura da colheita e da localização da oliveira dentro do distrito.

Ainda da região da Andaluzia chegam duas DOP provenientes de Córdoba: o Azeite de Baena e o Azeite de Priego de Córdoba. Este último é feito com as variedades Picual, Picudo e Hojiblanca e dá origem a um azeite de aroma frutado, com reminiscências de maçã e amêndoa, ligeiramente amargo e com alguma ardência.

O Azeite de Baena é produzido com Picudo, Lechin, Chorruo, Hojiblana e Picual. O azeite é frutado, com reminiscências florais, leve toque amargo e um bom equilíbrio de sabor.

 

As outras denominações

Da região da Catalunha chegam as DOP para o Azeite de Garrigues, da província de Lleida. O azeite é produzido com Arbequina e Verdial, as azeitonas são colhidas manualmente e o amadurecimento variável do fruto dá origem a dois tipos de azeite. Um frutado, produzido com azeitonas colhidas precocemente, com corpo e sabor picante, a lembrar amêndoa. E um doce, feito de azeitonas maduras. Nessa região encontra-se ainda o Azeite de Siurana, da província de Tarragona, feito à base de Arbequina, Royal e Morrut, onde as azeitonas são colhidas manualmente e que, tal como acontece na outra província, pode dar origem a azeites frutados ou doces.

A região da Extremadura absorve também duas denominações. O Azeite de Monterrubio, da província de Badajoz (elaborado com um mínimo de 90% de Cornezuelo, Picual ou Jabata). As características dessa área – com Invernos frios e Verões quentes e secos – criam azeites de grande personalidade, frutados, aromáticos, ligeiramente amargos e picantes. E o Azeite de Gata-Hurdes, da província de Cáceres, conhecida como a região do “azeite de ouro”, cor conseguida quando o fruto está maduro. É elaborado a partir da variedade Manzanilla Cacereña e o azeite mantém o próprio sabor do fruto, sem ser amargo ou picante.

Por referir está ainda o Azeite do Baixo Aragão, província de Teruel e de Zaragoza, da região de Aragão, e o Azeite de Montes de Toledo, das províncias de Ciudad Real e de Toledo, de Castilla-La Mancha. Se o primeiro é extraído da variedade Empeltre (mínimo de 80%), Arbequina e Royal, com sabor frutado e leve toque doce, já o segundo provém da variedade Cornicabra e é caracterizado pela grande estabilidade, devido ao alto conteúdo de polifenóis.

 

Azeite para os cinco cantos do mundo

O controlo de qualidade é fundamental na produção espanhola de azeite. Os próprios produtores realizam análises nos seus laboratórios. Um trabalho complementado com as autoridades espanholas que retiram e analisam amostras de todos os lotes para garantir que estão em conformidade com os requisitos de qualidade estabelecidos pela União Europeia.

Esta é também uma condição essencial para o carácter internacional do azeite espanhol. Está presente nos cinco continentes e estima-se que em mais de 100 países. A venda é, contudo, diferenciada, consoante o país de destino. Vende a granel, principalmente para outros países europeus. Itália é o maior comprador, seguido de França, Estados Unidos, Brasil, Japão e França. Portugal é também um grande consumidor deste produto. De acordo com a Fenazeite, quase metade do azeite consumido dentro de portas tem origem espanhola. Uma importação que corresponde a 40/50 mil toneladas.

Em crescimento está o segmento de exportação de azeite embalado, directamente para consumidores, restaurantes, retalhistas e lojas gourmet. Um canal cuja importância terá duplicado nos últimos cinco anos. Austrália, Estados Unidos, Brasil, Japão e França são os principais destinos.

 

Uma tradição milenar na produção

A produção de azeite em Espanha perde-se no tempo. Diz-se que desde a pré-história já existiriam oliveiras selvagens. A árvore de azeitona Olea Europea terá chegado ao país vizinho pelas mãos de fenícios e gregos. O cultivo foi-se propagando e terão sido os romanos os principais responsáveis pela expansão da produção e pelas melhorias técnicas. A queda do império romano trouxe uma diminuição drástica da produção de azeite em toda a Europa. Excepto no sul de Espanha, onde a influência árabe, com as suas novas variedades de azeitona e técnicas de cultivo, levaram a um aumento do cultivo de oliveiras.

Uma tradição que se manteve ao longo dos séculos. E que hoje atribui a Espanha o papel principal na produção e consumo de azeite. De facto, a história do azeite no país confunde-se com a própria evolução gastronómica. Espanha é hoje reconhecida pelo uso de azeite de oliva em inúmeros dos seus pratos e entradas típicas.

 

Mercado

2009: o ano da crise do azeite espanhol

2009 foi um ano bastante difícil para o sector do azeite em Espanha. A queda dos preços, do consumo interno e das exportações estiveram na origem de uma crise sem precedentes no país vizinho. Outros factores parecem explicar este fenómeno. Os produtores falam da concorrência de países fortes na produção de azeite, como a Argentina, e da falta de investimentos públicos.

De acordo com o Ministério da Agricultura espanhol, em 2009 as despesas de produção ter-se-ão situado nos 2,4 euros/quilo, enquanto que os preços terão ficado pelo 1,80 e os dois euros/quilo. Uma situação que não é exclusiva de Espanha e que se tem feito sentir em outros países europeus, com especial incidência em Itália.

 

Os números do sector em Espanha

  • Mais de 300 milhões de oliveiras;
  • Mais de dois milhões de hectares;
  • Área de cultivo de oliveira representa 25% do total mundial
  • Produção média anual de 700-800 mil toneladas, tendo havido anos em que chegou ao milhão de toneladas;
  • Exportação para 100 países;
  • Na média de dez anos foram exportadas 300 mil toneladas.

 

Fonte: ASOLIVA – Associación Española de la Industria y el Comercio Exportador del Aceite de Oliva

 

Produção de Azeite em Espanha

Campanha

Produção (1000 ton.)

00/01

974

01/02

1.411

02/03

861

03/04

1.412

04/05

990

05/06

827

06/07

1.111

07/08*

1.222

08/09**

1.150

                                               Fonte: COI

*Valores Provisórios

**Valores Estimativos

Outras publicações do Grupo